TÍPICA APARÊNCIA DE UM METEORITO ROCHOSO, CONTENDO CROSTA DE FUSÃO E SEU INTERIOR NORMALMENTE REVELA UM CONDRITO.
Este primeiro artigo representa o resgate do texto que escrevi em 2009 e fui atualizando ao longo dos anos até o ano de 2013. Aqui apresento a última versão dele que é ainda a página inicial de meu antigo website, criado originalmente em 2009, o Meteorítica Info (www.meteoriticainfo.webs.com). Alguns artigos seguintes serão também retirados das páginas de meu site antigo, como um tributo aos meus primeiros escritos do site meteorítica info. Este trabalho é fruto do que aprendi em minhas pesquisas sobre os meteoritos.
Iniciei minha busca aprofundada sobre a Meteorítica, a ciência que estuda estas fascinantes rochas, no ano de 2008, mas já sabia da existência deles desde 2006. A minha paixão pelos meteoritos foi a razão primordial de ter ingressado no curso de Geologia da Universidade Federal do Ceará três anos depois das minhas buscas pela ciência dos meteoritos. Até hoje me dedico à Meteorítica, apesar dos pesares e da vida secular com seus problemas. Arranjei um tempo para buscar me dedicar a este blogue. Tenho esperança de fazer o blogue Meteorito Sideral ser a continuação, a evolução, do meu antigo site Meteorítica Info. Espero que estes artigos vos ensine um pouco mais sobre esse fascinante mundo dos meteoritos, que os toque na mente e tenham um vislumbre do que sinto, além da nostalgia dos primeiros momentos da pesquisa, diante desses mensageiros cósmicos.
DEFINIÇÃO:
Meteorito é um fragmento de rocha que formou-se no vácuo do espaço há 4,5 bilhões de anos, no início do Sistema Solar, e se aglomerou em asteróides, cometas, planetas e satélites naturais. Estas rochas cósmicas caem na Terra e são recolhidas para estudos e pesquisas.
Estes não sofreram praticamente nenhuma modificação ao longo do tempo e portanto conservam a matéria original formada nos primórdios do Sistema Solar. Isso permite estudar as condições iniciais e a composição original do sistema planetário onde vivemos. Alguns meteoritos podem sofrer processos de recristalização com modificação de seus componentes no interior de outros planetas ou satélites naturais ou devido à atmosfera, erosão ou processos vulcânicos nestes.
Eles são divididos em:
NÃO-ALTERADOS: Não sofreram bruscas modificações em sua composição original.
ALTERADOS: Sofreram processos de modificação de seus materiais primordiais.
Os meteoritos são classificados em:
*ACONDRITOS (Aerólitos)
-ACAPULCOITOS
-AUBRITOS
-ANGRITOS
-BRACHINITOS
-LODRANITOS
-LUNAÍTOS
-UREILITOS
-WINONAITOS
-H.E.D. (HOWARDITTOS-EUCRITOS-DIOGENITOS)
-S.N.C. (SHERGOTTITOS-NAKHLITOS-CHASSIGNITOS)
*CONDRITOS
-ORDINÁRIOS
-CARBONÁCEOS
-ENSTATITOS
-RUMURUTTITOS
-TIPO KAKANGARI
*SIDERITOS
-Exemplos:
-CAMPO DEL CIELO
-CANYON DIABLO
-MUNDRABILLA
-SIKHOTE ALIN
*SIDERÓLITOS
-MESOSIDERITOS
Ex.: VACA MUERTA
-PALLASITOS
Ex.: IMILAC
Neste contexto, existem três definições: os meteoritos pétreos ou rochosos (CONDRITOS E ACONDRITOS), rocho-metálicos (SIDERÓLITOS) e metálicos (SIDERITOS).
Destes, caem na Terra com mais frequência os CONDRITOS que representam cerca de 87,7% dos meteoritos coletados.
ORIGEM DOS METEORITOS:
Os meteoritos têm origem, na sua maioria, em asteróides e cometas.
A abundância de metal, sendo que há predominantemente ferro e níquel na composição metálica dos meteoritos, pode ser explicada pelo fato de que os asteróides não têm gravidade suficiente para reter em seu interior, no núcleo, os elementos pesados e deixar os de mais baixa densidade em camadas superficiais, distribuindo, assim, o material metálico, quase que uniformemente em seu conteúdo. Essa observação também pode ser aplicada ao caso dos cometas, sendo que estes muitas vezes não podem ser ditos como semelhantes ou mesmo iguais aos asteróides. Muitas vezes, os cometas são rochas de gelo e material de poeira interplanetária.
Os asteróides são corpos relativamente pequenos (o maior asteróide estudado é Ceres que tem um diâmetro médio de 900Km, mas foi promovido para planeta anão) que representam a matéria residual da formação do Sistema Solar. Os asteróides se organizam em dois grandes cinturões. O primeiro está entre a órbita de Marte e Júpiter separando o Sistema Solar interior do exterior. O segundo circunda o sistema solar além da órbita de Plutão e é denominado cinturão de Kuiper.
Os cometas têm origem na nuvem de Oort, um aglomerado de corpos semelhantes aos asteróides, localizado a 30000 UA do Sol. Estes se deslocam devido a colisões com outros desses corpos e são atraídos pela gravidade do Sol e ao aproximarem-se deste formam uma cauda que pode se dividir em uma componente de gás ionizado e outra de poeira e partículas que são "sopradas" pelo vento solar.
ASTEROIDE IDA, FOTOGRAFADO PELA SONDA GALILEU DA NASA.
ESTRUTURA BÁSICA DE UM COMETA
OS TIPOS DE METEORITOS: FORMAÇÃO, COMPOSIÇÃO E ORIGEM:
-ACONDRITOS:
-Formação: Os acondritos são rochas geologicamente modificadas. Sendo assim, eles se formaram primeiramente como corpos pequenos (asteróides) que se aglomeraram em planetesimais para depois formar os planetas e satélites naturais, ou são provenientes de asteróides recristalizados-basálticos-como o asteróide 4-Vesta. Nos planetas, como Marte, as rochas originais que deram origem ao astro, são modificadas por ações de erosão dos ventos, da pressão de radiação, atividades vulcânicas, oxidação, metamorfização, etc. O solo de planetas como Marte e de satélites como a Lua, são muito desgastados pela ação da radiação do vento solar e os raios cósmicos e pelos impactos de meteoróides que formam muitas crateras e lançam pedaços dos solos para o espaço. Esses pedaços podem vir a cair na Terra, e quando são recolhidos e analisados, constata-se tratar-se, por exemplo, de um fragmento acondrítico de Marte, isto é, um meteorito marciano.
-Composição: A composição química dos acondritos é muito semelhante a das rochas terrestres, por esta razão, estes são os meteoritos mais difíceis de se diferenciar das demais rochas comuns. E diferentemente da maioria dos meteoritos, os acondritos geralmente não têm ferro-níquel, portanto, não são atraídos por imã. Os acondritos podem ser rochas vulcânicas como o basalto (se o fragmento vier do asteróide de basalto 4-Vesta, por exemplo). Eles geralmente tem mineralogia composta de olivinas, piroxênios e plagioclásios.
-Origem: Em resumo, os acondritos são qualquer meteorito lítico ou rochosos que não possuem côndrulos. Veremos mais adiante o que são os côndrulos. Os acondritos têm origem em asteróides compostos de basalto e sedimentos vulcânicos litificados (Vesta), em planetas como Marte e na Lua. Ainda não se tem conhecimento de meteoritos vindos de outros lugares como dos anéis de Saturno ou das luas de Júpiter. Os acondritos são subdivididos em primitivos, diferenciados e planetários. Os acondritos primitivos são aqueles que ainda preservam uma textura condrítica e representam condritos altamente metamorfizados, recristalizados. Estes são os Lodranitos, Acapulcoítos e Winonaítos. Os acondritos diferenciados são aqueles que não preservam mais nenhuma textura condritica e passaram por diversos processos geológicos em seus asteroides de origem, são estes os Aubritos, Ureilitos, Brachinitos e Angritos. Um grupo de acodritos diferenciados são oriundos do asteroide 4-Vesta, que fazem parte do grupo H.E.D. (Howarditos, Eucritos e Diogenitos). Os acondritos planetários são aqueles originados de corpos planetários, gerados por eventos geológicos mais complexos, estes são oriundos de Marte e da Lua. Os acondritos marcianos são agrupados nos S.N.C. (Shergotitos, Nakhlitos e Chassignitos), e o Ortopiroxenito ALH 84001. Os acondritos lunares, também chamados de lunaítos, são geralmente brechas anortosíticas de impacto, brechas de regolito, brechas basálticas, basaltos e gabros lunares.
O METEORITO ALH84001, ENCONTRADO NA ANTÁRTICA, É UM ACONDRITO PLANETÁRIO MARCIANO, ORTOPIROXENITO
FRAGMENTO DO RARO ACONDRITO TATAHOUINE, DIOGENITO, COLETADO NO DESERTO DA TUNÍSIA.
-CONDRITOS:
-Formação: os condritos são rochas criadas no processo de resfriamento e condensação de partículas rochosas e metálicas em uma massa que se organizou em planetesimais e asteróides. Os condritos são os mais comuns dos meteoritos, representam cerca de 87,7% dos meteoritos encontrados. Estes contém estruturas em todo o seu conteúdo, estas estruturas são os côndrulos. Os côndrulos são esférulas de material ígneo silicático e metálico que se formaram no princípio do sistema solar. Alguns, assim como muitos acondritos, podem se apresentar como BRECHAS (rochas compostas de pedaços angulares e justapostos por um cimento, originária de impactos no regolito do asteróide).
-Composição: são compostos por materiais bem semelhantes ao dos acondritos, contêm magnésio em forma de diversos cristais, óxidos, cristais de ferro-níquel, etc. Com exceção dos materiais vulcânicos e metamórficos que só podem proceder em ambientes de atividade geológica vulcânica e/ou tectônica. Entre outros minerais, que são olivinas, piroxênios, anfibólios e feldspatos, a existência de ferro e níquel já começa a ser relevante no grupo dos condritos, pois estes vêm de asteróides e estes são, na maioria das vezes, ricos nestes dois metais cosmicamente abundantes. É preciso enfatizar que o ferro, o enxofre, o carbono, o cálcio, o magnésio e o níquel, são elementos cosmicamente abundantes, excetuando o hidrogênio e o hélio que predominam no Universo.
Devido à existência de ferro e níquel nos condritos, este podem ser classificados em:
CONDRITOS L (Anfoteritos): contém pouco Fe-Ni.
CONDRITOS LL (Hiperestênios): contém muito pouco Fe-Ni.
CONDRITOS H (Bronzitos): contém quantidades consideráveis de Fe-Ni.
-Origem: os condritos são oriundos dos asteróides (de classe espectral S, D, P, ou C). Os condritos são uma família que reúne basicamente três tipos de condritos, dois tipos extremamente raros, e um caso a parte:
CONDRITOS ORDINÁRIOS: São os condritos comuns ou de composição simples, com a mineralogia composta de ortopiroxênio magnesiano, olivina magnesiana com ou sem plagioclásio sódico e clinopiroxênio magnesiano, podendo se encaixar nas classificações L,LL e H. Os condritos do grupo L possuem teores de ferro metálico entre 5 a 10%, os condritos LL possuem teores de ferro metálico inferiores a 5% e os do grupo H possuem teores de ferro entre 10 a 20%, Os condritos L, LL e H representam três diferentes tipos de asteroides condríticos.
CONDRITOS CARBONÁCEOS: São relativamente raros, pois se fragmentam muito fácil na entrada da atmosfera. Os condritos carbonáceos são mais ricos em cálcio e alumínio em relação à composição dos condritos comuns. A maioria dos condritos carbonáceos possuem teores de carbono que podem chegar até 5% da massa do meteorito, na forma de fases como grafita, nanodiamantes, carbetos de silício e titânio e na forma de moléculas orgânicas, sim, alguns deles contêm matéria orgânica como hidrocarbonetos complexos, carboidratos, bases nitrogenadas e aminoácidos. Os carbonáceos são uma espécie de objeto de incessante estudo dos astrobiólogos por supostamente mostrarem serem a pedra de roseta para a origem da vida em nosso planeta e em outras regiões do Universo.
CONDRITOS ENSTATITOS: Esses também podem ser tidos como raros, eles são muito semelhantes aos condritos ordinários com uma diferença, que é a existência de materiais cristalinos que são refratários como o ortopiroxeno enstatita, além de outros silicatos em menor quantidade.
CONDRITOS KAKANGARI: Representam uma rara classe de condritos, um pequeno grupo, que se assemelham em textura aos condritos carbonáceos, mas têm assinatura isotópica de oxigênio semelhante aos condritos ordinários.
CONDRITOS RUMURUTITOS: São raros condritos, um pequeno grupo, que são pobres em ferro, com teor de ferro total inferior aos condritos LL e são brechas de regolito asteroidal.
O caso a parte são os:
CONDRITOS BRECHA: São meteoritos que apresentam côndrulos, mas que possuem um aspecto heterogêneo, constituído de diversos pedaços de diferentes composições e texturas untados em uma única massa, são rochas resultantes de impactos em asteróides condríticos, são extremamente raros.
CONDRITO CARBONÁCEO AXTELL, COM AS CARACTERÍSTICAS RODELAS MINERAIS DE TAMANHOS MILIMÉTRICOS, OS CÔNDRULOS. AS MANCHAS BRANCAS SÃO INCLUSÕES MAIS ANTIGAS QUE OS OS CÔNDRULOS, CHAMADAS CAIs, OU INCLUSÕES RICAS EM CÁLCIO-ALUMÍNIO
CONDRITO CARBONÁCEO ALLENDE, CAÍDO NO MÉXICO EM 1969.
FOTOGRAFIA DE UM CONDRITO ENSTATITO
CONDRITO BRECHA, OBSERVAR CONTATO ENTRE CLASTOS COM DIFERENTES TEXTURAS CONDRÍTICAS, ESTE METEORITO É UMA BRECHA DE IMPACTO.
-SIDERITOS:
-Formação: formaram-se a partir da condensação dos metais em pequenos corpos na fase pré-planetária do Sistema Solar. São possivelmente restos de núcleos de antigos proto-planetas.
-Composição: são compostos basicamente por uma liga metálica que existe na Terra apenas compondo o núcleo do planeta. Essa liga consiste em uma mistura metálica rica em ferro e níquel, uma solução sólida, podendo conter fosfetos, sulfetos e carbetos em quantidades menores, sendo que em quantidades muito pequenas pode se encontrar os elementos traço siderófilos gálio, germânio, irídio e platina. Os meteoritos metálicos ou sideritos, contém em seu interior uma complexa matriz metálica, uma estrutura de exsolução resultante de lento resfriamento da liga, chamada de estrutura de Widmanstätten. O meteorito é cortado transversalmente e a parte interior é tratada com ácido nítrico e polida para exibir a estrutura de Widmansttäten. Assim como os condritos, os sideritos podem ser classificados em:
HEXAEDRITOS: Não apresentam estruturas de Widmanstätten e o teor de Ni varia de 4% a 7%. Os hexaedritos podem conter estruturas lineares paralelas de cisalhamento da liga metálica, chamadas de linhas de Neumann.
OCTAEDRITOS: As estruturas de Widmanstätten formam um octaedro e a quantidade de Ni varia de 7% a 12%
ATAXITOS: Não há estruturas de Widmanstätten, apresenta matriz metálica niquelosa e espelhada e a quantidade de Ni é maior ou igual a 12%.
-Origem: os sideritos têm origem exclusiva nos asteróides metálicos de classes espectral M ou S. Esses asteroides são provavelmente restos de núcleos de antigos protoplanetas e planetas menores que foram quebrantados por impactos cósmicos com outros corpos menores do Sistema Solar.
São exemplos de meteoritos sideritos: Campo Del Cielo, Canyon Diablo, Mundrabilla, Gibeon, Muonionalusta, Henbury e Sikhote-Alin.
Os sideritos são difíceis de encontrar. Representam 5,7% dos meteoritos catalogados, no entanto, devido a sua densidade extremamente alta em relação aos demais tipos de meteoritos, por sobreviverem melhor à entrada atmosférica e serem mais facilmente reconhecíveis como "rochas alienígenas", representam 90% da massa total dos encontrados.
A seguir, temos 3 exemplos de meteoritos metálicos:
CAMPO DEL CIELO
CANYON DIABLO
SIKHOTE-ALIN
-SIDERÓLITOS:
-Formação: Os siderólitos se formaram da mesma forma que os sideritos, porém o material rochoso se cristalizou junto ao material metálico formando asteróides rocho-metálicos. Nos siderólitos há uma quantidade grande e visível de ferro e níquel (OBS.: Não existe meteorito que contenha metal sem o níquel), e também uma quantidade significativa de materiais silicáticos, estes formam uma mistura heterogênea de rocha e metal. Os maioria dos siderólitos pode ser resultante de impactos cósmicos entre asteroides de composição basáltica e asteroides de composição metálica.
-Composição: os siderólitos contém uma porção rochosa e uma porção metálica:
Porção rochosa: mesma composição química dos condritos e dos acondritos, predominando cristais de olivina(nos pallasitos) e feldspatos e piroxênos (nos mesosideritos), onde nos mesossideritos, a parte rochosa é predominantemente basáltica.
A olivina é um mineral de cor amarela a verde e transparente, pode haver ocorrência de piroxênios que é um cristal escuro e translúcido. Os feldspatos são compostos minerais de cor acinzentada ou clara tendendo para o marfim cinzento.
Porção metálica: a matriz de Fe-Ni pode ser predominante em relação aos materiais minerais silicáticos (pallasitos) ou podem se apresentar como veios e pedaços dispersos na matriz rochosa predominante (mesossideritos), em uma textura de brecha.
-Origem: os siderólitos podem vir de asteróides de classe espectral S (os asteróides de classe espectral S podem ser metálicos como podem ser rocho-metálicos.
Existem dois tipos de siderólitos, são estes:
MESOSSIDERITOS: A porção rochosa predomina sobre a porção metálica. Os mesossideritos são resultantes de impactos cósmicos, são brechas de impacto cuja matriz é metálica e os clastos são de composição basáltica, semelhante aos eucritos e howarditos e às vezes são ortopiroxenitos semelhantes aos diogenitos.
PALLASITOS: A porção metálica predomina sobre a porção rochosa. Os pallasitos são interfaces entre o núcleo e o manto de um asteroide gigante diferenciado ou de protoplanetas estilhaçados em impactos cósmicos. Também são provavelmente produto de impactos cósmicos entre asteroides. Os pallasitos são meteoritos compostos de olivina amarela contendo traços do elemento fósforo em sua composição sustentadas por uma matriz metálica de ferro-níquel. Os pallasitos podem conter também piroxênios magnesianos. A transição entre eles e os sideritos são sideritos silicatados, os que contêm clastos ou "clusters" de silicatos em meio à matriz metálica predominante.
MESOSSIDERITO VACA MUERTA
PALLASITO IMILAC
Sabemos que meteorito é uma rocha espacial que é atraída pela gravidade da Terra e acaba entrando na atmosfera, queimando e derretendo com o atrito mecânico até perder seu material totalmente ou parcialmente e, muito raramente, chega ao solo.
Quando a rocha está bem próxima da Terra, ela é chamada de meteoróide, quando entra na atmosfera torna-se um meteoro (a popular "estrela cadente"), quando chega a troposfera é chamado bólido (bola de fogo) e ao impactar o solo é chamado meteorito.
Um meteorito é o que sobrou de um meteoróide (um pedaço de asteróide ou cometa) ao entrar na atmosfera terrestre. Iremos estudar brevemente os meteoros.
ANÁLISE DOS METEOROS:
Um meteoro, na meteorologia, é qualquer fenômeno atmosférico. Existem vários tipos de meteoros:
HIDROMETEOROS: São as nuvens por exemplo
LITOMETEOROS: São partículas de poeira que ficam em suspensão no ar formando uma névoa poeirenta.
ELETROMETEOROS: São os raios e as tempestades elétricas em geral
FOTOMETEOROS: O arco-íris por exemplo.
Mas para a Astronomia, o meteoro é exclusivamente, a queda de um meteoróide ou a passagem deste rasante na atmosfera.
Existem dois tipos de mostragem de um meteoro:
ESPORÁDICOS: São aqueles que aparecem em um ponto qualquer do céu e em seguida, dificilmente, aparece outro.
CHUVAS DE METEOROS (CHUVEIROS): São a ocorrência de meteoros em um intervalo de minutos ou horas. As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra está numa região de poeira interplanetária ou quando está próxima do rastro poeirento deixado pela passagem de um cometa. Estes fragmentos representam ameaça para os satélites e outros equipamentos orbitais, mas não representam ameaça para quem está na superfície, pois as partículas vaporizam-se muito antes de chegar à troposfera. Do ponto de vista de um observador situado na superfície da Terra, no chuveiro, os meteoros parecem sair de um ponto em comum no céu, esse ponto é chamado de RADIANTE e ele nomeia os chuveiros por se situar, aparentemente, em constelações específicas. Cada tipo de chuveiro pode ocorrer em um período do ano. Assim, as chuvas de meteoros recebem nomes especiais de acordo com a constelação onde fica o radiante. É dada abaixo a tabela com as chuvas de meteoros e suas respectivas constelações e períodos de ocorrência:
Nome | período | taxa | Constelação |
Quadrantídeas | 03 jan | 120 | Bootes |
Lirídeas | 22 abr | 15 | Lyra |
Eta-Aquarídeas | 05 mai | 50 | Aquarius |
Delta-Aquarídeas | 29 jul | 15 | Aquarius |
Persêidas | 12 ago | 80 | Perseus |
Orionídeas | 21 out | 20 | Órion |
Taurídeas | 12 nov | 10 | Taurus |
Leonídeas | 17 nov | 100 | Leo |
Geminídeas | 14 dez | 80 |
Gemini
|
Na tabela, o período apresentado é o de ocorrência máxima de chuvas, a taxa é dada em meteoros/hora, quando falamos em 80 meteoros/hora, significa dizer que se você tiver paciência de ficar olhando o céu por uma hora conseguirá ver uma média de 80 meteoros. A constelação é onde fica o radiante da chuva, daí o nome dos chuveiros serem análogos ao das constelações consideradas.
O meteoro é luminoso porque quando este se aquece, devido ao atrito com as camadas de ar atmosférico, até uma temperatura média que pode chegar a 3000 ºC, passa a emitir radiação de comprimentos de onda cada vez menores e, consequentemente, de maior frequência, portanto, de maior energia que ultrapassa o infravermelho e chega à luz visível ou espectro luminoso visível. A luz emitida pelo material meteórico incandescente pode ser branca, azulada, amarela, avermelhada ou verde. A cor vai depender da composição química do material meteórico, visto que a luz emitida depende do elemento químico considerado, por que na física quântica sabemos que a radiação eletromagnética é emitida e absorvida pelos elétrons nas camadas eletrônicas dos átomos. A frequência determina a energia da radiação e consequentemente depende da posição em que o elétron se encontra no átomo, isto é, se ele estiver próximo do núcleo ele tem baixa energia e emitirá ou absorverá radiações de baixa frequência, ou se ele estiver longe do núcleo, emitirá ou absorverá radiações de alta frequência, por este ter alta energia.
Na meteorítica utiliza-se a palavra ablação atmosférica. Ablação é o desgaste do meteoróide devido ao atrito com a atmosfera terrestre. Este desgaste é produzido pelo calor, e ocorre perda de massa que se vaporiza ou se fragmenta no ar antes de chegar ao solo. O meteorito pode apresentar um formato como que se tivesse sido rasgado pelo ar, estes são chamados de meteoritos orientados, ocorre muito com sideritos. Quando o meteoro ainda não se fragmentou por completo e chega à troposfera, ele tem grande chance de chegar ao solo. Quando ele está bem próximo da superfície ainda incandescente em processo de resfriamento, é chamado de bólido. Às vezes o meteoro esfria tão rapidamente, devido o seu exterior estar muito aquecido e seu interior estar muito frio por este vir do espaço e, dependendo de sua composição química, pode explodir no ar em vários fragmentos menores que caem na superfície e não formam cratera devido ao tamanho insignificante dos fragmentos (que podem variar de tamanhos microscópicos até alguns centímetros). Esta explosão gera uma onda de choque que produz um boom sônico que pode provocar danos ao que estiver próximo da trajetória de passagem do bólido. Isto foi o que ocorreu com o acondrito diogenito Tatahouine, recuperado na Tunísia e mais recentemente no evento do grande meteoro de Chelyabinsk, na Rússia, ocorrido em 2013.
METEORO ESPORÁDICO
ASTROFOTOGRAFIA DE UMA CHUVA DE METEOROS
O fenômeno ocorrido em 1908 em Tunguska, na Sibéria, até hoje é objeto de constante estudo, pois foi algo muito misterioso. Em 1908, um estranho acontecimento abalou uma região florestal em Tunguska. Um clarão seguido de um estrondo rasgou o céu e varreu uma vasta região de árvores sem deixar nenhuma cratera de impacto. Atualmente, a explicação dada para Tunguska é que um asteróide ou cometa rochoso explodiu violentamente no ar antes de impactar a superfície provocando uma onda de choque e de calor que destruiu as árvores e queimou tudo em volta.
O que não aconteceu em Tunguska é exatamente o que costuma ocorrer quando um meteoro de dimensões muito grandes (com diâmetros médios iguais ou superiores a centenas de metros) cai: Produzir uma cratera de impacto ou astroblema. Astroblemas ou crateras de impacto são depressões escavadas na superfície de um corpo rochoso, um planeta ou um corpo qualquer do Sistema Solar, pelo impacto de alta velocidade e alta energia cinética de um gigantesco meteoro. Existem duas crateras de impacto muito conhecidas na Terra. Uma é a METEOR CRATER, a primeira a ser estudada como possível cratera ocasionada por impacto de meteorito de grandes proporções, o principal explorador da cratera foi o geólogo Daniel Barringer que estudou esta cratera no deserto do Arizona e descobriu associados a ela inúmeros fragmentos de meteoritos hoje denominados de Canyon Diablo, a cratera foi datada em 50 mil anos. Os meteoritos metálicos Canyon Diablo são fragmentos do meteoro original que formou a Meteor Crater, também chamada de Cratera de Barringer. A outra astroblema famosa é a de Chic-Xulub no México, localizada abaixo de sedimentos mesozoicos na Península de Yukatán, datada de 65 milhões de anos, onde acredita-se ter ocorrido o cataclisma que deu fim a era dos dinossauros e amonoides.
CRATERA DE BARRINGER, LOCALIZADA NO ARIZONA
PROPRIEDADES FÍSICAS DOS METEORITOS VERDADEIROS:
-MAGNETISMO:
Se você acha que encontrou um meteorito, a primeira coisa que deve fazer é aproximar da rocha um imã (de preferência um superimã, porque se o meteorito for um acondrito ou um condrito LL, a atração magnética será fraca devido à pouca quantidade de Fe-Ni) para ver se esta contém metais.
Mas nem toda rocha que atrái imã é um meteorito. Os minérios de ferro como a magnetita e a hematita e rochas vulcânicas como o basalto, além de conterem metais (na forma oxidada) e atraírem imãs, possuem uma semelhança muito grande com os meteoritos. No entanto, a densidade destes minérios sempre será diferente da densidade de qualquer meteorito. Portanto, deve-se testar a segunda propriedade física. É muito comum também encontrar ligas metálicas artificiais e restos de escória e erroneamente identifcá-los como meteoritos.
-DENSIDADE:
Os meteoritos podem ser diferenciados das rochas terrestres por se fazer um cálculo da sua densidade. Os meteoritos são geralmente mais densos que as rochas terrestres. Por exemplo, a maioria das rochas terrestres, granitos e basaltos, têm densidades que variam de 2,7 g/cm³ a 3,0 g/cm³. Os meteoritos metálicos são mais densos que a magnetita e a hematita que têm densidades em torno de 5 g/cm³. São dadas abaixo tabelas com as densidades médias dos meteoritos:
Condritos Ordinários:
LL | 3.21 (± 0.22) |
L | 3.35 (± 0.16) |
H | 3.40 (± 0.18) |
Condritos Enstatitos:
EL | 3.55 (± 0.1) |
EH | 3.72 (± 0.02) |
Condritos Carbonáceos:
CI | 2.11 |
CM | 2.12 (± 0.26) |
CR | 3.1 |
CO | 2.95 (± 0.11) |
CV | 2.95 (± 0.26) |
CK | 3.47 (± 0.02)* |
Acondritos:
Aubritos | 3.12 (± 0.15) |
Diogenitos | 3.26 (± 0.17) |
Eucritos | 2.86 (± 0.07) |
Howarditos | 3.02 (± 0.19) |
Ureilitos | 3.05 (± 0.22) |
Shergottitos | 3.10 (± 0.04) |
Chassignito | 3.32* |
Nakhlitos | 3.15 (± 0.07) |
Siderólitos:
Mesosideritos | 4.25 (± 0.02) |
Pallasitos | 4.76 (± 0.10) |
Sideritos:
OBS.: As espécies de condritos carbonáceos não precisam ser relevantes em nosso contexto. Podemos sintetizar uma "densidade absoluta" para um condrito carbonáceo como sendo de 3 g/cm³.
Observe que nos condritos enstatitos não existe o grupo ELL, isso porque os enstatitos têm mais metais do que os outros condritos.
Agora que sabemos as duas principais propriedades físicas dos meteoritos, vamos saber o que não acontece em um meteorito.
-EMISSÃO DE CALOR:
Um meteorito, brevemente após a sua queda, não continua emitindo calor como se fosse uma fonte de raios infravermelhos, ele entra em processo de resfriamento como qualquer outro material comum, isto é, quando na superfície seu conteúdo não está completamente fundido, apenas uma pequena porção superficial da rocha se fundiu e fica fria rapidamente, a crosta de fusão. Ele de forma alguma continuará indefinidamente quente. Isso não existe.
-RADIOATIVIDADE:
Por mais interessante que possa ser discutir se existe um meteorito radioativo, isso não ocorre na realidade, os elementos radioativos não são abundantes e, no caso dos asteróides, estes não possuem gravidade suficiente para manter estes elementos pesados em seu interior, estes se deterioraram atomicamente e sofreram processos catalíticos (os ventos solares e a radiação cósmica) para essa reação de estabilização radioativa se apressar. Assim, não existe meteorito que contenha urânio ou tório, entre outros, em quantidades suficientes para serem considerados rochas radioativas. As concentrações de tório, urânio e potássio-40 nos meteoritos são similares às concentrações medidas em todas as rochas terrestres, na faixa de partes por milhão. Portanto, os meteoritos não são ameaça para os seres humanos quando são manuseados.
Agora, se você quiser se tornar um caçador de meteoritos, primeiro analise como estes se apresentam:
-CROSTA DE FUSÃO: Um verdadeiro meteorito, quase sempre, terá uma "casca" escura de aspecto fosco ou vítreo de cor preta, marrom ou verde escuro em sua volta, onde o aspecto verdadeiro do meteorito normalmente é branco, amarelado ou cinza claro. Esta crosta se forma quando o meteoro está se fundindo no calor da ablação atmosférica, fazendo com que se forme um material residual fundido envolvendo a rocha. Lembre-se de que a crosta de fusão é muito fina. Os meteoritos metálicos apresentam também uma crosta de fusão, com composição magnetítica, ainda mais fina do que a crosta de fusão dos meteoritos rochosos. As crostas podem conter feições superficiais aerodinâmicas preservadas como linhas de fluxo, regmaglytos e microfraturas de contração térmica. A espessura média de uma crosta de fusão de meteorito é 0,25 milímetros.
METEORITO CONDRITO APRESENTANDO SUA CROSTA DE FUSÃO PRETA E SEU INTERIOR ACINZENTADO.
-REGMAGLYTOS: Os regmaglytos ocorrem apenas em meteoritos metálicos, mas também podem ocorrer raramente em meteoritos pétreos, estes são estruturas que são moldadas na ablação, lembram marcas de dedo afundado em uma massa de barro.
FRAGMENTOS INDIVIDUAIS DO METEORITO METÁLICO SIKHOTE-ALIN APRESENTANDO OS TÍPICOS REGMAGLYTOS EM SUA SUPERFÍCIE
-CÔNDRULOS: Se o meteorito for rochoso, provavelmente será um condrito. Como saber se é um condrito? Se ele estiver com a crosta de fusão intacta, é preciso cortá-lo e poli-lo para ter acesso ao seu interior. No interior da rocha, haverá os côndrulos, pequenos padrões circulares de minerais. Se estes realmente aparecerem, está confirmado que sua rocha é um meteorito condrito. Análise mais aprofundada é feita para saber sua mineralogia e textura em detalhes fazendo uma lâmina petrográfica da rocha e analisando-a num microcópio petrográfico à luz polarizada para determinar com precisão a mineralogia e textura do meteorito.
FATIA CHEIA DO CONDRITO LL3 NWA 1933 EVIDENCIANDO OS CÔNDRULOS, ESTRUTURAS ARREDONDADAS DE MINERAIS MÁFICOS
-EXISTÊNCIA DE FERRO-NÍQUEL E ESTRUTURAS DE WIDMANSTÄTTEN:
As estruturas de Widmanstätten só existem em meteoritos. A presença da liga ferro-níquel só existe em meteoritos. Os meteoritos não possuem quantidades apreciáveis de outros tipos de metais. A organização interna, a textura e estrutura da rocha, de um mesossiderito e de um pallasito é exclusiva de meteoritos. O ferro na forma metálica é extremamente raro na Terra, nas rochas terrestres o ferro apresenta-se oxidado nos silicatos, principalmente na forma de piroxênios, anfibólios, olivinas e biotita, ou na forma de óxidos e hidróxidos tais como magnetita, hematita e goetita. Os metais meteoríticos contêm teores de níquel iguais ou superiores a 5%, além de quantidades traço, na escala de partes por milhão, de metais nobres raros tais como os platinoides (platina, ródio, irídio, ósmio e paládio) e metais raros siderófilos como gálio e germânio.
SEÇÃO POLIDA E TRATADA QUIMICAMENTE DO METEORITO METÁLICO GIBEON EVIDENCIANDO O PADRÃO DE WIDMANSTÄTTEN
CORTE DE SEÇÃO POLIDA DO MESOSSIDERITO NWA 2680 EVIDENCIANDO A MATRIZ METÁLICA DE FERRO-NÍQUEL E OS CLASTOS DE COMPOSIÇÃO SILICÁTICA
CAÇADORES DE METEORITOS
Os caçadores de meteoritos são aqueles que procuram encontrar esses tesouros do espaço.
Um caçador de meteoritos deve escolher bem o local onde irá prospectar. Os melhores locais para se procurar meteoritos são nos desertos (ex.: Saara, Atacama, Omã e Kalahari) e nas geleiras da Antártica, Groenlândia, etc.
Os desertos são bons porque não erodem rapidamente os meteoritos. Em vez disso, eles são conservados no solo desértico porque existe uma quantidade muito pequena de água que poderia causar o intemperismo químico mais rápido no meteorito. Além disso, a areia desértica é amarelada ou alaranjada e as pedras são claras, isso permite um destaque para os meteoritos que geralmente são bem escuros, por causa da crosta de fusão.
As geleiras são excelentes porque os meteoritos caem e ficam conservados no gelo por idades que excedem 65 mil anos. O gelo se movimenta nas geleiras e concentra os meteoritos em depósitos de morenas. Daí é só procurá-los que eles se destacarão na neve. A Antártida é campo de intensa procura há muito tempo, sim, há muitos meteoritos para encontrar na Antártida.
No Brasil, existem poucos meteoritos catalogados. Alguns destes são: O maior, que é o meteorito metálico de Bendegó, descoberto em 1763 na Bahia. Outro meteorito é o Ibitira, este é um acondrito Eucrito anômalo, isto porque por dentro ele é cheio de furos, como um queijo, representando vesículas de escape de gases de derrame vulcânico na superfície do asteroide basáltico 4-Vesta, o maior asteroide do Sistema Solar.
FRAGMENTO CORTADO DO ACONDRITO IBITIRA, EUCRITO ANÔMALO, UM DOS POUCOS EXEMPLOS DE METEORITOS CONTENDO VESÍCULAS.
No mundo, apenas cerca de 61.511 meteoritos foram devidamente coletados e catalogados de acordo com o Meteoritical Bulletin no ano de 2019! Isso acontece porque poucas pessoas têm conhecimento sobre os meteoritos e seu alto valor científico e instrutivo. Os meteoritos são a única evidência concreta da matéria original que formou o Sistema Solar.
"OS METEORITOS SÃO A ÚNICA EVIDÊNCIA CONCRETA DA MATÉRIA
ORIGINAL QUE FORMOU O SISTEMA SOLAR".
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